domingo, 22 de julho de 2012

Exu-Mirim, o “Èlégua”.





Como diz o ditado, "há muito mais coisas entre o céu e a terra do que imaginemos".
Eu diria que seja "há muito mais coisas no Orun do que sabemos e quem vem a terra..." 
Exu mirim sempre foi uma incógnita na Umbanda, com "n" explicações, entre elas posso citar algumas que eu cresci dentro da religião escutando:

"Exu mirim é o serviçal de exu adulto que entra nos buracos dos cemitérios". 
"Exu mirim é um espírito de criança que em vida tinha sido bandido e agora volta para se redimir dos pecados". 
"É um exu adulto que ainda não cresceu". 
"É o filho de pomba gira com exu (??!!!!)

De certo, a manifestação destas formas "infantilizadas" na Umbanda ocorrem, mas tirando o "Erê" ( pós e pré fase da manifestação do Orixá) , que acabou sendo relacionado com "crianças" ,  o Exu mirim é tratado com cautela e até medo.  

Olhando as manifestações neste parco tempo de umbanda, sempre notei que apesar de virem na forma de crianças, havia o uso de bebidas e cigarros, fumos e até um exagero nos palavrões. Porém, apesar deste caráter, a entidade conserva em alguns momentos o jeito "criança", e até usando comer doces e outras guloseimas.

A tempos atrás comecei a ver material afro e indígena com mais afinco, na questão das divindades "infantis".e eis que, se olharmos o panteão brasileiro, veremos que há muitas e nem todas muito "santas", mas "demoníacas"..cito o saci, o caipora, e do panteão afro o que eu mais conhecia eram as referências aos espíritos de crianças das florestas chamadas de "vyambela", do livro da Alice Werner. 



Obviamente, como a formação da Umbanda tem a maior parte de seu contexto advindo das raízes afros, vendo as característica de Elégua,  as semelhanças são muito grandes e talvez, talvez, nesta sopa de conceitos e modelagens de ritos e formas que  há pouca coisa registrada, onde a oralidade e paradigmas foram criando mecanizações para as entidades, o "exu mirim" em sua forma "arteira" tenha justamente advindo de uma raiz certamente africana, talvez do “èlégua”, talvez das divindades Bantu, talvez mais alguma montagem do inconsciente de alguém que viu uma roda de Erê em Ylê .

Meu amigo Kambami lembra que:

O que sabemos ou o que aprendemos ou ainda o que nos contam sobre o tal Exú mirim é bem pelo descrito acima, mas há algumas escritas que remontam talvez e olha gente eu disse talvez tenha uma relação bem Árabe em relação ao que chamam de Djinn, ou Gênio.
Na própria cultura Bantu há relatos sobre "encantos" de Kitembu que se formos perceber são descritos como crianças exús ou exús mirins.
Na cultura Fon podemos ver algo quando falamos sobre as crianças gemêas Da Zodji e sua irmã Nyohwe Ananu que lembram tão bem os Exús que conhecemos.
Outra lenda Fon da criação nos diz que Mawu nos dá 7 crianças e a mais novinha fica quem? Legba que por ser como um temporãozinho não é deixado como os outros na terra sozinho e fica sempre ao lado de Mawu, porém a lenda também diz que por esse motivo, todos perdem a capacidade de se comunicar com Mawu e somente Legba é capaz de se comunicar com seus irmãos Voduns e com Mawu pois é poliglota e domina todos os idiomas. 




Em várias religiões, em religiões japonesas antigas, na china, na Europa, na mitologia grega e romana,na africana, na indígena brasileira, e certamente em algumas que eu nem conheça, divindades humanizadas aparecem de forma "infantil", e a despeito de nossas preferências, este tipo de força "aparece" em locais os quais de acordo com o meio, se manifestam.
Seriam todas a mesma?
não sei........
mas sei daquilo que o caminho humano , talvez conduzido ou compartilhado com os espíritos, criaram mecanismos de cultos e agrados a estes espíritos..e como a raiz aqui é mais afro, acredito que o rótulo "exu mirim" é bem dado, até levando em conta a contextualização Brasileira.

Um “trisckter criança" Afro Brasileiro!





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